Por algumas horas, fugi de mim. Por algumas horas, fui mais feliz do que jamais pensaria possível ser.
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Leveza
Era forte o suficiente para me segurar, suave o suficiente para me encantar. Deixei em suas mãos meu corpo, minha voz, minha alma, meu prazer. Sentia seu toque suave e quente, sua respiração alta em meu ouvido...
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
"Eu abro no fecho"
Senti um aperto no meu peito. E, de repente, não mais sereno, nem mais sincero, vi um olhar pobre de amor, pobre de carinho olhar em minha direção e... Desaparecer. Vi um amor antes infindo, antes companheiro, antes tão real se desfazer em seu coração e permanecer intacto no meu. Vi o fim da estrada para mim, enquanto o vi seguir em uma nova direção. Será que eu esqueci que as portas se abrem? Ou deixei as chaves caídas no caminho?
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
A última noite
Ainda era cedo quando ele me ligou: uma voz trêmula, exitante. Disse que precisávamos nos ver.
Nos encontramos às 18:00, no parque. Seus olhos tinham uma cor diferente, um amarelado pálido. Nos olhamos de longe e nos aproximamos com cautela. Seus olhos encheram d'água e senti um aperto no peito.
A noite seria longa.
Estendemos um lençol sobre a grama e nos sentamos. Abrimos um vinho, jogamos conversa fora. Senti seus olhos vagos, como se procurassem uma brecha para voltarem a ficar sérios, como se quisessem gritar, mas estivessem sendo amordaçados.
Pôs as mãos em meu rosto, me olhou nos olhos. Ficamos alí por um instante, como se o mundo tivesse parado para nós. Olhos nos olhos, sentindo cada um o amor e a tristeza que vinha do outro. Sabíamos que teria de acontecer e que logo, logo aquilo ia matá-lo. Mas fingíamos esquecer.
Sorrimos um para o outro e nos beijamos. Foi calmo e sincero, ardente e apaixonado. Ficamos lá a noite toda. Deitados na grama sob a estrelas, falando e fazendo o amor que nos unia.
Foi alí, deitada em seu peito, aquecida por seu calor, que ouvi seu último suspiro.
Foi alí que selamos o nosso eterno amor, e o forçado fim da nossa paixão.
Nos encontramos às 18:00, no parque. Seus olhos tinham uma cor diferente, um amarelado pálido. Nos olhamos de longe e nos aproximamos com cautela. Seus olhos encheram d'água e senti um aperto no peito.
A noite seria longa.
Estendemos um lençol sobre a grama e nos sentamos. Abrimos um vinho, jogamos conversa fora. Senti seus olhos vagos, como se procurassem uma brecha para voltarem a ficar sérios, como se quisessem gritar, mas estivessem sendo amordaçados.
Pôs as mãos em meu rosto, me olhou nos olhos. Ficamos alí por um instante, como se o mundo tivesse parado para nós. Olhos nos olhos, sentindo cada um o amor e a tristeza que vinha do outro. Sabíamos que teria de acontecer e que logo, logo aquilo ia matá-lo. Mas fingíamos esquecer.
Sorrimos um para o outro e nos beijamos. Foi calmo e sincero, ardente e apaixonado. Ficamos lá a noite toda. Deitados na grama sob a estrelas, falando e fazendo o amor que nos unia.
Foi alí, deitada em seu peito, aquecida por seu calor, que ouvi seu último suspiro.
Foi alí que selamos o nosso eterno amor, e o forçado fim da nossa paixão.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
A esperar
Já faz um tempo que eu sou a mesma
e que o relógio não roda por aqui.
O mundo já parou de girar faz tempo, meu bem
E eu ainda continuo no meu lugar de origem,
aonde nos vimos pela última vez.
Tô sentada nesse banco de praça
esperando o sol se pôr
e vendo meu relógio quebrado ir e vir
um segundo a mais, um a menos...
Sentindo o frio que o sereno vem trazendo,
eu faço do tempo o meu melhor amigo.
Leio um livro
e logo, logo a noite vai cair...
Ah, meu bem
não vamos fingir que não sabemos
o fim dessa história.
Ora lá,
o mundo uma hora volta a girar
e aí eu vou estar bem aqui
e você também.
Nesse banco de praça,
como um casal de cinema.
Com meu relógio que o tempo não passa,
nem para.
Pra gente se enganar um pouco de novo,
até que o mundo pare novamente
e vão todos girar sozinhos,
enquanto eu fico aqui nesse banco,
vendo meu relógio ir e vir,
sentindo o sereno de cada noite,
sendo a mesma a cada hora,
a esperar o começo da nossa história mais uma vez.
e que o relógio não roda por aqui.
O mundo já parou de girar faz tempo, meu bem
E eu ainda continuo no meu lugar de origem,
aonde nos vimos pela última vez.
Tô sentada nesse banco de praça
esperando o sol se pôr
e vendo meu relógio quebrado ir e vir
um segundo a mais, um a menos...
Sentindo o frio que o sereno vem trazendo,
eu faço do tempo o meu melhor amigo.
Leio um livro
e logo, logo a noite vai cair...
Ah, meu bem
não vamos fingir que não sabemos
o fim dessa história.
Ora lá,
o mundo uma hora volta a girar
e aí eu vou estar bem aqui
e você também.
Nesse banco de praça,
como um casal de cinema.
Com meu relógio que o tempo não passa,
nem para.
Pra gente se enganar um pouco de novo,
até que o mundo pare novamente
e vão todos girar sozinhos,
enquanto eu fico aqui nesse banco,
vendo meu relógio ir e vir,
sentindo o sereno de cada noite,
sendo a mesma a cada hora,
a esperar o começo da nossa história mais uma vez.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
De flor em flor
Hoje vi um beija-flor que voava de flor em flor. Era pequeno, o pobrezinho, dentro daquele grande jardim. Havia flores nas quais ele se escondia, mas mesmo assim era cheio de graça. Muito colorido, ele, diferente de todos que já vi. Suas asas cintilavam o brilho do sol, que ardia forte no céu. Ausente de qualquer barulho que pudesse vir, fiquei fascinada com o pequeno bichinho. Não pude ter certeza, mas penso que ele caberia na minha mão, se possível. Voava graciosamente, rodopiava como uma bailarina no céu. Era suave como a brisa que vinha de quando em quando. Sentada na grama, não podia ver ou ouvir mais nada além daquele pequenino bichinho. Não há nada melhor do que se encantar de manhã cedo com algo tão natural. Eu sorri. Pois tinha certeza que dali em diante, nada estragaria meu dia: me apaixonara por um beija-flor antes mesmo de abrir os olhos.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Quero
"Quero que todos os dias do ano,
todos os dias da vida,
de meia em meia hora,
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.
Ouvindo-te dizer "Eu te amo",
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?
Quero que me repitas até a exaustão
que me amas, que me amas, que me amas.
Do contrário, evapora-se a amação,
pois ao não dizer "Eu te amo",
desmentes,
apagas
teu amor por mim.
Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra.
Nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.
No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.
Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor."
(Carlos Drummond de Andrade)
todos os dias da vida,
de meia em meia hora,
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.
Ouvindo-te dizer "Eu te amo",
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?
Quero que me repitas até a exaustão
que me amas, que me amas, que me amas.
Do contrário, evapora-se a amação,
pois ao não dizer "Eu te amo",
desmentes,
apagas
teu amor por mim.
Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra.
Nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.
No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.
Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor."
(Carlos Drummond de Andrade)
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Como quiser
Ah, vai
brinca de amar.
Tira e põe
assim sem questionar.
Vem, me faz amar alguém.
Me faz pensar no bem
sem ter que pensar a quem.
Ah, vai
vamos fazer disso uma perseguição
brincar de cão e gato
sem pensar no coração!
Ah, vai
vamos deixar acontecer.
O que vier, virá
ainda sem o amanhecer.
brinca de amar.
Tira e põe
assim sem questionar.
Vem, me faz amar alguém.
Me faz pensar no bem
sem ter que pensar a quem.
Ah, vai
vamos fazer disso uma perseguição
brincar de cão e gato
sem pensar no coração!
Ah, vai
vamos deixar acontecer.
O que vier, virá
ainda sem o amanhecer.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Querido coração,
hoje um novo sol apareceu para radiar meu dia.
Me cansei daquelas tardes monótonas nas quais lhe torturava com meus sentimentos e decidi me trazer um novo amor.
Seu nome é Saudade.
Bate em minha porta todas as manhãs, como quem não quer nada. Está sempre por perto, mas nem sempre presente. Vem e vai assim que dá vontade.
Ela é traiçoeira às vezes, eu assumo.
Mas me conforta sempre que preciso... Me traz boas lembranças.
Anda sendo uma ótima companheira para os momentos de solidão, que são quase todos.
Ela me faz entender coisas que antes não tinham sentido.
Boba, essa Saudade, que não me faz sofrer e nem me faz feliz!
Não sei se ela vai durar muito.
Mas enquanto ela fica por aqui, vamos ver no que vai dar.
Me cansei daquelas tardes monótonas nas quais lhe torturava com meus sentimentos e decidi me trazer um novo amor.
Seu nome é Saudade.
Bate em minha porta todas as manhãs, como quem não quer nada. Está sempre por perto, mas nem sempre presente. Vem e vai assim que dá vontade.
Ela é traiçoeira às vezes, eu assumo.
Mas me conforta sempre que preciso... Me traz boas lembranças.
Anda sendo uma ótima companheira para os momentos de solidão, que são quase todos.
Ela me faz entender coisas que antes não tinham sentido.
Boba, essa Saudade, que não me faz sofrer e nem me faz feliz!
Não sei se ela vai durar muito.
Mas enquanto ela fica por aqui, vamos ver no que vai dar.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Letras de sangue
Recebi uma carta
escrita em vermelho, amor.
Nela palavras soavam com graça
o sentimento que rodeava
a minha cabeça, amor.
Mas nada daquilo era real,
nada daquilo era pra você.
Fechei meu mundo,
me perdi por ti.
Qualquer letra pontilhada
que vasasse em lágrimas
um sentimento teu
não chegaria aos pés
do sofrimento que tive
por receber uma carta,
escrita em vermelho,
que não eras tua, amor.
escrita em vermelho, amor.
Nela palavras soavam com graça
o sentimento que rodeava
a minha cabeça, amor.
Mas nada daquilo era real,
nada daquilo era pra você.
Fechei meu mundo,
me perdi por ti.
Qualquer letra pontilhada
que vasasse em lágrimas
um sentimento teu
não chegaria aos pés
do sofrimento que tive
por receber uma carta,
escrita em vermelho,
que não eras tua, amor.
sábado, 19 de junho de 2010
Fora do comum
Sempre fui boa com as palavras.
Sempre fui boa para escrever o que sinto, o que penso, o que quero dizer.
Sempre fui boa para me expressar.
Mas dessa vez eu não encontro palavras pra me definir. Não sei se vazio, escuro e só seria o certo, ou se está tudo tão colorido que não sei explicar. Não sei se o que explode dentro de mim é confusão ou é simples calmaria.
Não sei dizer se eu quero amor ou se eu quero estar sozinha. Não sei mais andar por mim mesma e não tenho mais chão algum.
Não sei se quero ver o céu ou se quero ver a chuva cair. Não sei se eu quero me sentir viva ou quero ver o mundo acabar.
Não sei se quero que saibam quem sou e que pensem no que vou fazer.
Eu sei que eu não quero que ninguém espere mais nada de mim, que eu ando surpreendendo nem a mim mesma. Não quero preconceitos e nem ao menos conceitos.
Eu quero deixar que aconteça, pois agora sim, mais do que qualquer outra vez, eu me sinto perdida. Pois além de perdida do mundo, eu estou perdida de mim mesma.
Sempre fui boa para escrever o que sinto, o que penso, o que quero dizer.
Sempre fui boa para me expressar.
Mas dessa vez eu não encontro palavras pra me definir. Não sei se vazio, escuro e só seria o certo, ou se está tudo tão colorido que não sei explicar. Não sei se o que explode dentro de mim é confusão ou é simples calmaria.
Não sei dizer se eu quero amor ou se eu quero estar sozinha. Não sei mais andar por mim mesma e não tenho mais chão algum.
Não sei se quero ver o céu ou se quero ver a chuva cair. Não sei se eu quero me sentir viva ou quero ver o mundo acabar.
Não sei se quero que saibam quem sou e que pensem no que vou fazer.
Eu sei que eu não quero que ninguém espere mais nada de mim, que eu ando surpreendendo nem a mim mesma. Não quero preconceitos e nem ao menos conceitos.
Eu quero deixar que aconteça, pois agora sim, mais do que qualquer outra vez, eu me sinto perdida. Pois além de perdida do mundo, eu estou perdida de mim mesma.
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