domingo, 10 de abril de 2011

Eu sinto muito, mas não sou quem você acha que sou. Realmente não tenho essa parte humana que você acredita que eu tenho, nem posso sentir as coisas que os outros sentem.
Não sei amar, não aprendi a fazer ninguém feliz.
Eu sinto muito, mas, de fato, não nasci pra fazer de você alguém melhor, porque, na verdade, se eu tivesse essa capacidade, não seria nem metade do que sou.
Quer um conselho? Se afasta.
Tome cuidado, que eu não sou flor que se cheire.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O balão

São duas moças e muitos sonhos. Tantas idéias, tantas coisas pra viver.
Encher um balão com ar? Pra quê, se podemos enchê-lo de sentimentos?!
Um balão cheio de desejos. Um balão que metaforicamente representava duas vidas. Duas vidas que duas meninas sonhadoras queriam viver.
Naquele banco, foram verbalizadas todas suas vontades. E vontades não apenas pessoais, mas desejos para um mundo melhor.
Jogado no ar, o balão estorou na grama, deixando sair toda a positividade de duas cabeças que querem nada mais que a FELICIDADE.
Entre a vida e a morte, duas meninas decidiram que a felicidade delas depende unicamente delas mesmas. E prometeram fazer o possível para serem felizes.



Para Jade, que faz o meu mundo cada dia melhor, acrescentando à minha vida um pouquinho de cada sentimento do nosso balão.

Último romance

É incrível como, depois de tanto tempo, eu ainda procuro você em qualquer rosto. Incrível como é sua voz que eu sempre ouço e como é o seu jeito que eu procuro em todo homem. Incrível como, de algum jeito, o meu casaco velho ainda tem seu cheiro, incrível como o meu travesseiro ainda tem o seu formato.
Todos os meus passos me levam à você, me levam à tristeza de lembrar que você não é mais meu. A lembrar que, na verdade mesmo, você nunca foi meu, enquanto eu sempre fui completamente sua.
Fico feliz por ver você feliz. Mas eu queria você uma última vez, um último segundo.
Meu último romance, meu único amor. O que por muito tempo me fez respirar, e que agora me tira o fôlego por completo.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada. Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável. Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada “dois em um”: duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável. Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto. Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas. Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém.

(John Lennon)











“Largue-se e você será muito mais do que jamais sonhou ser.”

domingo, 13 de março de 2011

Do filme "Remember me"...

“Você pode dirigir com 16, ir para a guerra aos 18, beber aos 21, e se aposentar aos 65. Mas, qual a idade você tem que ter antes que seu amor seja verdadeiro? Já tive aos montes pessoas que não compensam esquentando a cadeira ao lado do cinema, o banco ao lado do carro e o travesseiro extra da cama. E nem por um minuto senti meu peito aquecido. A gente até engana os outros de que é feliz, mas por dentro a solidão só aumenta. Estar com alguém errado é lembrar em dobro a falta que faz alguém certo.”

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Leveza

Era forte o suficiente para me segurar, suave o suficiente para me encantar. Deixei em suas mãos meu corpo, minha voz, minha alma, meu prazer. Sentia seu toque suave e quente, sua respiração alta em meu ouvido...
Por algumas horas, fugi de mim. Por algumas horas, fui mais feliz do que jamais pensaria possível ser.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

"Eu abro no fecho"

Senti um aperto no meu peito. E, de repente, não mais sereno, nem mais sincero, vi um olhar pobre de amor, pobre de carinho olhar em minha direção e... Desaparecer. Vi um amor antes infindo, antes companheiro, antes tão real se desfazer em seu coração e permanecer intacto no meu. Vi o fim da estrada para mim, enquanto o vi seguir em uma nova direção. Será que eu esqueci que as portas se abrem? Ou deixei as chaves caídas no caminho?

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A última noite

Ainda era cedo quando ele me ligou: uma voz trêmula, exitante. Disse que precisávamos nos ver.
Nos encontramos às 18:00, no parque. Seus olhos tinham uma cor diferente, um amarelado pálido. Nos olhamos de longe e nos aproximamos com cautela. Seus olhos encheram d'água e senti um aperto no peito.
A noite seria longa.
Estendemos um lençol sobre a grama e nos sentamos. Abrimos um vinho, jogamos conversa fora. Senti seus olhos vagos, como se procurassem uma brecha para voltarem a ficar sérios, como se quisessem gritar, mas estivessem sendo amordaçados.
Pôs as mãos em meu rosto, me olhou nos olhos. Ficamos alí por um instante, como se o mundo tivesse parado para nós. Olhos nos olhos, sentindo cada um o amor e a tristeza que vinha do outro. Sabíamos que teria de acontecer e que logo, logo aquilo ia matá-lo. Mas fingíamos esquecer.
Sorrimos um para o outro e nos beijamos. Foi calmo e sincero, ardente e apaixonado. Ficamos lá a noite toda. Deitados na grama sob a estrelas, falando e fazendo o amor que nos unia.
Foi alí, deitada em seu peito, aquecida por seu calor, que ouvi seu último suspiro.

Foi alí que selamos o nosso eterno amor, e o forçado fim da nossa paixão.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A esperar

Já faz um tempo que eu sou a mesma
e que o relógio não roda por aqui.
O mundo já parou de girar faz tempo, meu bem
E eu ainda continuo no meu lugar de origem,
aonde nos vimos pela última vez.

Tô sentada nesse banco de praça
esperando o sol se pôr
e vendo meu relógio quebrado ir e vir
um segundo a mais, um a menos...

Sentindo o frio que o sereno vem trazendo,
eu faço do tempo o meu melhor amigo.
Leio um livro
e logo, logo a noite vai cair...

Ah, meu bem
não vamos fingir que não sabemos
o fim dessa história.
Ora lá,
o mundo uma hora volta a girar
e aí eu vou estar bem aqui
e você também.

Nesse banco de praça,
como um casal de cinema.
Com meu relógio que o tempo não passa,
nem para.
Pra gente se enganar um pouco de novo,
até que o mundo pare novamente
e vão todos girar sozinhos,
enquanto eu fico aqui nesse banco,
vendo meu relógio ir e vir,
sentindo o sereno de cada noite,
sendo a mesma a cada hora,
a esperar o começo da nossa história mais uma vez.